domingo, 2 de maio de 2010

desprePARADA Disney

Qual a criança que nunca sonhou, ou sonha, em conhecer a Disney, símbolo máximo da fantasia infantil?
Tirar uma foto com o Mickey, visitar o castelo da Cinderela, tudo isso faz parte dos desejos de grande parte das crianças ao redor do mundo. Pena que para a maioria, isso nunca vai passar de um sonho, de um desejo restringindo ao Google Imagens, ou vídeos do YouTube.
Todo grande grande sonho, pode se tornar um grande pesadelo. Para isso, basta que seja causado algum sentimento de frustração.
A Nestlé, marca respeitada, com produtos desejados pelos mais diversos paladares, fez, ou tentou fazer, com que esse "sonho encantado", se tornasse realidade. Pelo menos em parte.
Só aqui em Salvador, a Nestlé passou cerca de 04 meses trabalhando na campanha da "Parada Disney". Uma campanha muito bem planejada, muito bem executada. Eles conseguiram atingir todos os públicos. Outdoors, banners nos principais sites, chamadas na tv, tudo quanto é tipo de midia.
O resultado de todo esse investimento não poderia ser diferente. Curiosidade, esperança de ter um sonho realizado, expectativa em alta. Todos esses sentimentos juntos, levaram milhares de pessoas para assistir ao tão esperado desfile.
Moro no bairro do Costa Azul, a cerca de 1km do local marcado para o início do evento.
Acordei às 8:30hs e me deparei com uma visão nada comum para uma manhã de domingo: O trânsito estava completamente travado nos dois sentidos. Não bastassem os carros, milhares de pessoas chegavam andando, algumas, coitadas, vindo de longe, da região da rodoviária, da Barros Reis, e outros bairros distantes do local. Pessoas que só queriam realizar a fantasia de seus filhos. Nunca vi tanta gente passando na frente da minha varanda.
O desfile estava marcado para começar às 10:30hs. Saí de casa às 10hs. Como moro bem próximo, não me preocupei em chegar atrasado.
No caminho, cruzei com pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais. Muita gente usando a orelhinha do Mickey, crianças fantasiadas, um total clima de realização.
Cheguei no local pontualmente às 10:30hs, no exato horário marcado para o início do desfile. Muita gente, incrivelmente lotado.
Percebi que nada acontecia, então pensei que eles estavam atrasados por causa da forte chuva que havia ocorrido minutos antes. Até que resolvi olhar sob a multidão. Achei estranho, vi as cabeças de Tico e Teco já bem distantes do ponto inicial. Procurei me informar com um segurança do evento: "O desfile começou umas 10:15hs, antes do horário. Aqui é assim, tudo é errado, tudo é merda. Se correr você ainda pode ver algo lá na frente, aquele foi o último carro do desfile". Essas foram as exatas palavras que ouvi.
Eu fiquei chateado, fato, mas moro bem próximo daquele local, além do mais, posso ver o Mickey diretamente na Disney. Agora pensem naquelas crianças, todas chorando, caras tristes, pais chingando até a vó do Mickey.
O evento teve uma péssima organização, foi realizado num péssimo lugar, com um péssimo acesso, além de começar antes do horário marcado. Não venham me falar que isso é problema do povo, que tem a cultura de chegar tarde.
Após o evento, ouvi uma criança falando que tinha chegado às 6:00hs. Acham isso certo? Colocar uma criança para tomar chuva e sol?
Esse evento deveria ter sido realizado na paralela, no CAB, algum lugar que tivesse um acesso mais fácil, com vias mais largas.
Outro grave erro, foi a escolha do horário. Se o evento começa às 10:30hs, o calor vai aumentando. O desfile deveria ser a tarde, umas 15:30, pois assim, o calor iria diminuindo, tornando o clima menos desagradável.
Culpa da Nestlé? Culpa dos organizadores? Não, culpa da Disney Brasil.
Posso afirmar isso, sem medo de errar.
Algum tempo atrás, no dia 01 de agosto de 2009, fiz a produção do show do "High School Musical", um produto da Disney, aqui administrado pela Disney Brasil.
A abertura dos portões estava marcada para às 16hs. A banda só começou, por opção da Disney Brasil, a passar o som às 15:50hs, o que gerou um atraso de 1h. Esse atraso causou todos os problemas que se possam imaginar, pois tinham crianças na fila desde às 12hs.
Eu, produtor/contratante, simplesmente não podia abrir os portões, sob ameça de eles não subirem no palco e não realizarem a apresentação. No dia seguinte eu ganhei uma manchete no Correio* "High decepção".
Imagino a pressão que a Disney Brasil deve ter feito para que o evento tivesse esse início antecipado. Sem contar as ameaças que devem ter existido para que o evento fosse realizado na orla, não na paralela.
Uma coisa é certa, não irei mais para nenhuma "desprePARADA Disney". Não no Brasil.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Chuva, Caos e Twitter

"Chove chuva, chuva chove
Cai do céu pro chão
Corre e vem lavar o meu rosto"
Bom seria se a chuva dos últimos dias fosse realmente fonte de inspiração para músicas como essa do Jammil.
O céu da cidade parecia uma boite, com os raios fazendo a função do strobo e o vento a máquina de fumaça.
Não me recordo, desde que vim morar em Salvador, de ter visto uma chuva tão intensa. Tudo alagado, ventos derrubando árvores, até orelhão eu vi sendo arrancado do chão. Por outro lado, o trânsito da cidade parecia dia de feriado. Isso, é claro, até São Pedro perceber e mandar derrubar o muro de contenção do viaduto da LIP.
No meio de todo esse caos, São Pedro ainda consegue um sócio para "melhorar" a situação. Transalvador. Não é por acaso que o nome começa com "trans", de "transtorno".
Esses amados agentes de trânsito, no meio de toda essa confusão "h2olística", simplesmente intensificaram a fiscalização das vias exclusivas de ônibus, justamente nos únicos horários em que a cidade estava engarrafando. Imaginem: pistas alagadas e você tendo que se preocupar em não ser multado ao tentar passar pela única faixa relativamente seca, a dos ônibus. Parabéns Prefeito!
O Rio de Janeiro não precisa nem de comentários, afinal foi a pauta de todos os jornais, em todos os horários. Só que existe um detalhe que eu preciso comentar.
Sempre que acontece alguma coisa grave como essa tragédia no Rio de Janeiro, aparecem alguns artistas com o seu "Marketing Pós-Morte". Foram várias coisas, mas o que mais me chamou a atenção foi a cantora Cláudia Leitte. Ela tirou esses dias para ganhar seguidores no twitter, comentando a miséria alheia.
Uma seguidora resolveu "dar de testa" com ela, falando que seria mais interessante ela doar o cachê de um show, no lugar de ficar com esse blá, blá, blá... Ela não gostou, falou que ignora esse tipo de comentário.
Em seguida a referida cantora escreveu: "vamos fazer uma grande corrente". Eu, já acompanhando aquela história, resolvi comentar essa última frase dela. Escrevi: "Quem gosta de corrente é cadeado, vai doar R$ que é melhor". Recebi até ligações pedindo para eu apagar minha resposta. Como se diz aqui em salvador, "me deixe viu".
Outra cantora que resolveu fazer campanha, mas de forma realmente útil, de forma concreta (não que as pessoas não precisem de oração, mas se tem condições, vamos fazer além), foi a Preta Gil. Ela vai fazer um show para arrecadar fundos e alimentos para as vítimas da chuva no Rio. Vale lembrar que não é a primeira vez que ela faz isso.
Cláudia Leitte até que está pedindo para as pessoas levarem alimentos para um show que ela vai fazer recentemente (ou já fez, não sei). Boa atitude, tudo bem. Mas será que ela não pode ir além? Comparem os cachês de Leitte e Gil, e irão entender minha revolta.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que realmente tem valor?

Igreja Batista, Igreja Católica...?
Médico, advogado, engenheiro...?
Esses deveriam ser os pontos de partida para definir a forma pela qual as pessoas devem ser tratadas?
Pior ainda. Esses devem ser os pontos que determinam se uma pessoa deve ou não, ser respeitada?
Com o passar dos tempos, as pessoas deveriam aprender a valorizar o ser humano, mas ocorre exatamente o contrário. Cada dia que passa, vejo uma separação ainda maior das pessoas por nichos, sejam religiosos, sejam profissionais, ou até sexuais.
O mundo, enquanto gente, entrou numa inversão de valores muito louca. Pouco importa se você tem um bom coração, pouco importa se você procura fazer sempre o bem, ou se, até de forma discreta, está sempre tentando ajudar o próximo.
O Papa acoberta casos de pedofilia. E ainda há quem o defenda, argumentando que ele foi obrigado a isso devido à forte hierarquia existente na "casa de Deus". Deus é a favor da pedofilia? Acho que não. Então isso faz do Papa um pecador como qualquer outro ser humano. Além disso, existe o fato de que grande parte dos casos de pedofilia, envolvem crianças do sexo masculino, o que faz dos "representantes de Deus", pedófilos gays. Se não me engano, a igreja também condena o homosexualismo né?
Outros que se dizem o exemplo de homem, o molde perfeito dos ensinamentos cristãos, são os Pastores, assim como a grande maioria dequeles que os seguem.
Esses também são passíveis de erros da mesma forma como qualquer outra pessoa. Mas esse nicho dos "camisa de botão", se fecha de tal forma que, se você não frequenta a igreja deles, você está errado, você não tem valor, você é um exímio pecador.
Eu já frequentei várias religiões, das mais diversas crenças. Todos defendem o mesmo ideal, os ensinamentos de Deus.
Não seria tão mais simples se eles pudessem conviver em paz, uma vez que ambos tem o mesmo objetivo. Será que é realmente necessário manter essa rivalidade idiota que sempre vai no lado contrário ao que eles tentam ensinar?
Justamente por ter tido a oportunidade de conhecer todas essas "casas de Deus", é que resolvi não seguir nenhuma delas.
Não consigo acreditar em uma marca que quer a todo custo, me converter, me fazer acreditar que estou errado em seguir aquilo em que acredito, sem ao menos me dar o direito de argumentar.
Deus como pai, acredito que queira ensinar, guiar da melhor forma possível. O aprendizado tem como consequência o erro, e isso é uma coisa que essas marcas dizem não fazer. Talvez no dia que alguma delas assumir, e ensinar que para aprender é preciso quebrar a cara, eu até possa acreditar. Não posso acreditar em pessoas santas, afinal o mundo ainda não acabou.
Acredito muito em Deus, mas não preciso que nenhuma dessas marcas me guie.
Nós, seres de vida curta, precisamos aprender a valorizar o nosso semelhante, seja ele branco ou negro, médico ou gari, hétero ou gay. Independentemente das escolhas que façamos em vida, todos iremos para os conhecidos sete palmos, no fim.
Sei que fui bastante extremista, generalizando os erros, passando a ideia de que não existem pessoas sérias envolvidas nessas igrejas. Isso não é verdade, é apenas reflexo de um sentimento que ao longo dos anos vem sendo cultivado, ou destruído, não sei ao certo.